Minha primeira câmera

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Nos anos 90, existiam umas vendas casadas em que, aparentemente, os produtos oferecidos não tinham nenhuma conexão entre si. Numa dessas promoções, comprei uma câmera descartável que vinha junto com um aparelho de barbear (ou era ao contrário, não lembro bem). Levei essa câmera para a praia. Minha família ia passar o réveillon de 1997 na casa do meu padrinho que era lá. Usei todas as 24 poses que o filme continha. O mais legal é que, por ser descartável e dessas promoções um tanto quanto bizarras, a câmera até funcionou bem e saíram quase todas as fotos.
Exatamente um ano após o uso dessa câmera descartável, minha tia me deu uma Yashica MG-Motor e ela se tornou minha grande companheira por 7 anos (de 1998 a 2005, confesso que demorei a entrar para o mundo das câmeras digitais). Foi com essa câmera que eu comecei a me interessar de verdade pela fotografia. Andava com ela pra todos os lados, fotografava diversas coisas – como as bizarrices que meus camaradas de escola e eu fazíamos, tipo jogando vídeo-game em casa ou matando tempo na rua. Essa câmera me acompanhou nos primeiros shows que fui na vida. Óbvio que as fotografias eram bem amadoras e cheias do famoso erro de paralaxe, mas eu usava apenas pra guardar recordação dos shows, dos eventos
Com a popularização, facilidade de compra e preços acessíveis das câmeras digitais por volta da metade da década de 2000, as câmeras analógicas passaram a ser usadas basicamente por fotógrafos “puristas” ou por aqueles que achavam legal a moda do vintage/retrô que ficou bem forte no inicio da década de 2010, principalmente com o sucesso das Lomos, mas isso é papo pra outro post. Foi aí que acabei comprando também a primeira câmera digital.
Uma dos coisas que eu mais me marcou dessa época de uso de câmeras analógicas era o fato da limitação do uso das 12/24/36 poses do filme, pois como tanto a compra do filme como sua revelação/impressão eram caras e demoravam pra serem feitas, a gente tinha que pensar a pose, o local, a luz, o objetivo da foto antes de clicar e ainda ficar na expectativa e na torcida pra todas fotos ficarem boas e não queimar o filme. Eram outros tempos, nem melhores ou piores que hoje, mas no fundo era bem divertido.
Abraços e até semana que vem.

Raphael Prado

Fotógrafo graduado pelo Senac, apaixonado por música, futebol e por novas formas de retratar o cotidiano.