Neste documentário que nasceu do encontro da diretora Agnès Varda com o fotógrafo francês JR eles percorrem várias regiões da França com um caminhão que é um laboratório fotográfico onde eles fazem a impressão em tamanhos gigantes de fotografias de pessoas, paisagens, coisas e animais e as deixam expostas em lugares públicos homenageando seu moradores, suas histórias e o lugar ondem vivem.

Essas fotos geralmente tocam em pontos difíceis da historia dessas pessoas e seus vilarejos, mas a narrativa é leve deixando o clima bem limpo e não transforma o documentário em algo triste apesar de algumas histórias relatadas não serem das mais felizes. Histórias que passam por o ultimo dia de trabalho de um operario que está se aposentando e não sabe o que fazer com sua vida pós trabalho, uma senhora moradora de uma vila que está sendo extinta e disse que será a ultima a sair das casas ou pela própria história de Agnès Varda.

Outro tema muito interessante abordado é a cultura das selfies e fotos que imediatamente são colocadas em redes sociais e como essa visão de felicidade efêmera nos afeta diariamente.

Respeito, carinho, cumplicidade, cuidado e até mesmo um pouco de sarcasmo é como posso definir a relação entre Agnès Varda e JR durante o filme, o que traz toda a leveza dos diálogos do filme.

“Visages, Villages” foi indicado ao Oscar 2018 de melhor documentário, infelizmente não ganhou e a estatueta ficou com o “Icarus”.

 

Visages, Villages (França, 2017)
Direção, Roteiro e Elenco: Agnès Varda e JR
Duração: 89 min.

Raphael Prado

Fotógrafo graduado pelo Senac, apaixonado por música, futebol e por novas formas de retratar o cotidiano.